23 de novembro de 2017

Leitaria Luso Central e Pique-Nique

A “Leitaria Luso Central” na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, terá aberto por volta de 1913, aquando da remodelação e transformação deste edifício (entre 1912 e 1913) para Hotel, conforme projecto do construtor civil Frederico Augusto Ribeiro, e cuja fachada seria alterada pela proposta de um desenho de um arquitecto alemão. Este edifício viria a albergar o “Hotel Metrópole”, do empresário hoteleiro Alexandre d’Almeida, e inaugurado em 18 de Novembro de 1914.

A primitiva “Leitaria Luzo Central”, à esquerda do toldo na foto

A “Leitaria Luzo Central”, viria a ocupar o mesmo espaço onde tinha funcionado, primeiramente, o “Botequim das Parras”, no primitivo edifício, e a “Tabacaria Gusmão”. Onde são hoje os números 22-25 e 27-29, ficavam no princípio do século XIX os celebérrimos “Botequim do Nicola” (1787) - actualCafé Nicola” - e o já referido “Botequim das Parras”, onde se reuniam os literatos do tempo, Manuel Maria Barbosa du Bocage, Nuno Álvares Pato Moniz, Francisco Joaquim Bingre, João Vicente Pimentel Maldonado, etc..

Recordo que o “Botequim das Parras”, desde 1803, era propriedade de José Pedro da Silva, vulgo o José Pedro das Luminarias - assim chamado por iluminar a frontaria do botequim nos dias de gala nacional - que tinha sido administrador do “Botequim do Nicola”. Entre os dois botequins era a porta da escada do prédio. O “Botequim das Parras” era assim chamado pelo facto da pintura dos frisos dos tetos do interior reproduzia cachos de uvas e folhas de videira. Dizia-se, mais tarde, que nas paredes desse botequim havia muitos versos nas paredes, escritos a lápis, por Bocage.

“Botequim do Nicola” na elipse desenhada à esquerda, na foto, e “Botequim das Parras” na elipse desenhada à direita

 

“Botequim das Parras” na elipse desenhada

Em 1915, a “Leitaria Lvso Central” expande-se à loja de modas, contígua, e transforma-se interiormente e exteriormente sob o risco do Arquitecto Manuel Norte Júnior (1878-1962), reabrindo em 1916.

1930

 

1940

 

Mas como nada dura para sempre, em 1950, e para o lugar da “Leitaria Lvso Central” é encomendado um projecto ao gabinete de arquitectura de Víctor Palla e Bento d’Almeida, para a construção do primeiro snack-bar de Lisboa e do país, o “Pique-Nique”, que viria a ser inaugurado em 1954.

              Arquitectos Víctor Palla e Bento d’Almeida                                       “Pique-Nique” em construção 

 

Exterior e interior do Snack-Bar “Pique-Nique”

  

Saco

António Martins Sena da Silva, designer, arquitecto, artista plástico, fotógrafo, cronista, etc.,  escreveria, a este propósito:

«O Pique-Nique apareceu em Lisboa com a designação inglesa de «Snack-Bar» e uma clientela de formação cinematográfica. Existe agora no Rossio como coisa que faltava e não podemos pôr em dúvida a sua integração perfeita naquela zona nem a justificação da modalidade de refeições rápidas que se propunha fornecer.»

O “Pique-Nique” viria a desaparecer, e actualmente é uma pizzaria e restaurante de comida italiana, tendo adoptado a primitiva designação de “Leitaria Luso Central”.

“Leitaria Luso Central”, actualmente

 

Vou transcrever o texto do site oficial da actual “Leitaria Central”:

«Em 2014 o Luso-Central ganha uma nova vida, combinando a tradição original com as exigências contemporâneas. Quando passamos a lindíssima fachada do arquiteto Norte Júnior, cuidadosamente recuperada, encontramos um espaço moderno e confortável dedicado às irresistíveis tentações da gastronomia italiana.»

Quanto ao texto anterior resta-me dizer, ou recordar ao autor do mesmo, que a actual fachada nada tem a ver com a primitiva, do arquitecto Manuel Norte Júnior, apesar de referida como «cuidadosamente recuperada», o que não se verificou, infelizmente … bastará comparar as fotos que publico.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital, Hemeroteca Municipal de Lisboa

21 de novembro de 2017

Estabelecimentos Comerciais de Lisboa (56)

“J. Vilanova & C.ª ”, na Rua da Boavista

“J. Castello Branco”, na Rua das Portas de Santo Antão

“Casa Victoria” - Bicyclettes, na Rua do Crucifixo

“Américo Moreira” - Alfaiates, na Rua Augusta

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

19 de novembro de 2017

Hotel Residencial Infante Santo

O “Hotel Residencial Infante Santo”, projectado pelo arquitecto Alberto Pessoa e propriedade da empresa “F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”, foi inaugurado no dia 28 de Maio de 1957, na esquina da Avenida 24 de Julho com a Avenida Infante Santo, em Lisboa.

“Hotel Residencial Infante Santo” dias antes da inauguração, e no dia da inauguração

 

A empresa proprietária do Hotel, “F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”, fundada em 1895 e que actuava no ramo do comércio de materiais para a construção civil, com instalações contíguas ao Hotel, na Avenida 24 de Julho, ao comemorar os seus 60 anos decide entregar o projecto desta unidade hoteleira a construir no seu terreno, ao arquitecto Alberto Pessoa (1919-1985) em 1955. Lembro que este arquitecto já era responsável pelos projectos dos grandes edifícios habitacionais na Avenida Infante Santo.

“F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”

Terreno onde viria a ser implantado o “Hotel Residencial Infante Santo” e projecto inicial do arquitecto Alberto Pessoa

 

À data da sua inauguração, o “Hotel Residencial Infante Santo”, classificado com 3 estrelas, oferecia 27 quartos, sendo que 5 eram suites e 22 duplos,todos equipados com casa de banho, telefone e TV.  Tinha serviços de cabeleireiro e manicure, lavandaria e pequenos-almoços. No piso da entrada principal pela Rua Tenente Valadim, tinha Bar, Snack-Bar. O “Restaurante Infante Santo” ocupava a loja do edifício era independente do Hotel, tendo sido dado à exploração.

 

Etiquetas de bagagem e anúncio em 9 de Novembro de 1957

Hotel Infante Santo.1 Hotel Infante Santo.5 (9-11-1957) 

Conjunto residencial projectado pelo arquitecto Alberto Pessoa para a Avenida infante Santo

Em 1983 o “INATEL - Instituto para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores” adquiriu este Hotel e a partir desse ano e até ao seu encerramento, em 1998, serviu de Centro de Férias. O seu encerramento como unidade hoteleira ficou a dever-se à evolução da zona onde está inserido, que acabou por se transformar numa área «pouco turística, com muito movimento automobilístico e com a construção de um viaduto que passa ao lado e em frente dos quartos», referia um responsável do Inatel. Isto aliado à sua pequena dimensão (só tinha 30 quartos), que dificultava a sua gestão no âmbito do Turismo Social, e ainda o facto de serem necessárias obras de reabilitação e de actualização de normas hoteleiras acabou por ser decisivo para os responsáveis do Inatel encerrarem o hotel.

Desde o fecho, o edifício foi arrendado ao “Instituto da Segurança Social, I.P.”, «que realizou estudos para o utilizar como equipamento de Solidariedade Social», mas em 2013 seria assaltado e vandalizado.

Estado actual do edifício em fotos retiradas do “Google Maps”

 

Este edifício encontra-se encerrado e pertence à “Fundação Inatel” que o herdou da então “INATEL - Instituto para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores” aquando da mudança de estatutos desta em 25 de Junho de 2008.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa

16 de novembro de 2017

Teatro Avenida em Coimbra

O “Teatro-Circo do Principe Real D. Luiz Filipe”, após 5 de Outubro de 1910 renomeado de “Teatro Avenida”, na Avenida Sá da Bandeira em Coimbra, propriedade de António Jacob Junior, Moraes Silvano e Mendes d'Abreu, foi projectado pelo arquitecto Hans Dickel, e inaugurado em 20 de Janeiro de 1892.

“Teatro-Circo do Principe Real D. Luiz Filipe” a seguir à sua inauguração

Enquadramento do “Teatro Avenida” na Avenida Sá da Bandeira

A sua construção, em terrenos cedidos pela Câmara Municipal de Coimbra, teve início em 1891 e nela trabalharam cerca de 100 operários. Dos estuques encarregou-se Francisco António Meira. As grades dos camarotes, as colunas que os sustentam e as cadeiras para a prateia foram fundidas na oficina de Manuel José da Costa Soares.

Este Teatro, oferecia: 28 camarotes de uma só ordem, 8 frisas, 28 lugares de balcão, 450 cadeiras e 450 lugares de geral.

«Para qualquer companhia é o theatro alugado por 80$000 réis. O actual emprezario, que procura sempre variar os espectaculos com peças escolhidas das melhores companhias e que é fiel cumpridor dos seus deveres, é o sr. Manoel Francisco Esteves. Tem o theatro orchestra e banda, sob a direcção do habil e intelligente professor Dias Costa. É esta casa de espectaculos muito elegante e tem commodidades. Na epocha propria é muito frequentado pelos academicos.» in: “Diccionario do Theatro Portuguez” - Sousa Bastos - 1908

A sala de espectáculos, com um «pano de boca» pintado por mestre António Augusto Gonçalves, tinha capacidade para 1.700 espectadores e o seu custo ultrapassou os 20 000$000 réis. Podiam lá realizar-se espetáculos equestres, de declamação e canto. Embora os espaços de recepção e hall de entrada fossem construídos em alvenaria de pedra, o espaço central e cúpula tinham estrutura metálica, vinda de um Teatro mais antigo, o "Teatro-Circo Do Arnado".

 

A inauguração do, então, “Teatro Circo do Principe Real D. Luiz Filipe”, contou com a atuação de uma «companhia equestre, gymnástica, acrobática, cómica e mimíca, do Real Coilyseo , de Lisboa, de que é director o sr. D. Henrique Diaz»

« (...) Ao longo dos anos passaram pelo Avenida e lá atuaram muitas e famosas companhias, mas o velho teatro também teve papel de relevo na vida académica. No entanto, logo em 1894, se verificou uma tentativa de mudança de donos, que não sabemos se realmente veio a concretizar-se e em 1902 o Sr. António Jacob Júnior passou a ser o novo proprietário do imóvel, embora se falasse no surgimento de uma empresa que passaria a explorá-lo.» Anacleto, R. O fim do Teatro Avenida?, In Domingo, Coimbra.

Projeccionista do “Teatro Circo do Principe Real D. Luiz Filipe”, em 1902

Cédula de 10 centavos do “Teatro Avenida”

“Teatro Avenida” em 1962

 

                                             1959                                                                                           1964

  

14 de Fevereiro de 1964

                     

Nos finais dos anos 70 do século XX,  o “Teatro Avenida” é demolido e no início dos anos 80 foi construído um edifício que albergou o Centro Comercial “Galerias Avenida”.

O espaço que tinha sido preservado do antigo “Teatro Avenida”, inserido no edifício do Centro Comercial, abriria em 12 de Novembro de 2010 com cara e nome novos, o “Theatrix”, um espaço nocturno e sala de espectáculos, vocacionada sobretudo para a música, com concertos e sessões de DJ, stand-up comedy, novo circo, dança e também cinema. Viria a encerrar, creio que em 2014.

“Theatrix”

fotos in: Opsis, Tuna Académica da Universidade de Coimbra, Guitarra de Coimbra

14 de novembro de 2017

Curiosidades Automobilísticas (29)

Stand da “A. M. Almeida, Lda.”, em 1924, dias antes da abertura, na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa

Stand da “Sociedade Portuguesa de Automóveis, Lda.”, em 1929, na Avenida da Liberdade em Lisboa

Stand da firma “Rios d’Oliveira”, na Avenida da Liberdade em Lisboa

Linha de montagem da “Ford Lusitana, S.A.R.L.”, inaugurada por Henry Ford II em 6 de Janeiro de 1964, na Azambuja

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian