30 de setembro de 2011

Companhia de Seguros “A Nacional”

Entre as companhias portuguesas, parece ter sido a “Fidelidade” a primeira a operar com seguros de vida, entre 1845-1857, mas terá obtido graves prejuízos com o seu funcionamento, nomeadamente por via dos surtos de febre amarela que nos anos 50 do século XIX fustigaram Lisboa, que a levaram a abandonar a aceitação de novos contratos, só voltando a este tipo de seguros em 1926, em novos moldes. Algumas outras o fizeram, mas esporadicamente ou em pequena escala: há notícias da “Providência”, em Lisboa, com início em 1846, mas que não terá durado dois anos; da “Sociedade Geral de Seguros Mútuos de Vida”, com estatutos aprovados em 1858, mas sem se lhe conhecer actividade; eventualmente, a Equidade terá efectuado alguns seguros deste tipo.

Também a “Garantia” e a “Segurança” já indicavam esse ramo nos estatutos, mas a primeira só o implementou em 1920, e a outra nunca o chegou a fazer. De forma sistemática, as seguradoras portuguesas não praticaram seguros de vida antes de 1907, ano da nova regulamentação criada pelo governo de João Franco, e só mesmo depois de 1920 essa prática assume importância.

«A propaganda do seguro de vida é hoje desnecessária sob o ponto de vista da utilidade. Longe vão os tempos em que os moralistas se insurgiam contra a natureza da mesma d'este contracto. Ninguem hoje desconhece os serviços prestados por esta instituição quer sob o ponto de vista económico, quer mesmo sob o ponto de vista moral.»  in Revista Occidente 1907

A propaganda intensa de muitas seguradoras estrangeiras , em Portugal, veio sacudir a indiferença de muitos em matéria de previdência e abrir caminho a uma propaganda mais metódica fundada no convencimento das vantagens do seguro de vida.

                                                         

Foi esta fórmula que adoptou para sua publicidade a primeira companhia portuguesa de seguros de vida “A Nacional”. A fundação desta Companhia foi precedida da publicação de uma revista de seu nome "Seguros e Finanças", com uma vasta publicidade destinada a instruir o público em relação aos Seguros de Vida.

Os seus fundadores entenderam que constituía um prejuízo para o país, entregar em mãos estrangeiras as economias dos segurados, proveniente das contribuições destes, em prejuízo da nossa indústria e comércio, e também pela absoluta falta de fiscalização por parte do governo, que garantisse aos segurados a garantia dos compromissos tomados pelas companhias estrangeiras.

                                       1º Conselho de Administração da Companhia de Seguros “A Nacional”

                                      

"Nacionalizar" o seguro de vida, foi também a divisa da Companhia fundada em 17 de Abril de 1906 que adoptou o nome de Companhia de Seguros “A Nacional", tendo por emblema o “Génio da Independência” que se pode observar no pedestal do monumento aos Restauradores, em Lisboa.

                                                                           “Génio da Independência”

                                                    

                                                                            Primeiro anúncio em 1906

                                                     

                   A sua primeira sede foi na Rua do Alecrim, esquina com a Praça Duque de Terceira, em Lisboa

                                        

                                                       Mais tarde mudou-se para a Avenida da Liberdade

                                        

                                                    

Foram seus fundadores Fernando Berderode, director e actuário, e José A. Quintella, sub-director. Foi adquirida e integrada nesta Companhia a companhia de seguros contra acidentes pessoais "A Equitativa do Porto".

                                            Director e sub-director no gabinete da direcção, na Rua do Alecrim

                                        

Como o serviço médico das companhias de seguros, era uma especialidade que requeria conhecimentos profundos, para que do seu parecer dependesse a admissão ou recusa dos segurados em contractos de seguros de vida, foi convidado o Dr. Egas Moniz coadjuvado pelo clínico Dr. Godinho Tavares, que diáriamente procedia na sede da Companhia em Lisboa e exames médicos aos pretensos segurados.

                                                                           Os médicos da Companhia

                                       A Nacional.9

                                                             Secretaria e Contabilidade, na Rua do Alecrim

                                       

Para inspector da Companhia foi nomeado Manuel Teixeira Sampayo que assumiu a tarefa de criar a primeira rede de agências, e instrucção de agentes, em quase todos os concelhos do país.

Em 1924 é inaugurada a filial da Companhia de Seguros “A Nacional" na cidade do Porto, na Avenida dos Aliados cuja construção tinha sido iniciada em 1919. Belíssima obra do arquitecto José Marques da Silva. A gerência desta filial ficou a cargo de José Zagallo Ilharco, ex-gerente da "A Equitativa do Porto".

                                                                       Exterior do edifício da filial no Porto

                                        

                                                                O edifício em fase final de construção

                                 

                                                                        Hall de entrada da filial do Porto

                                                          

                                                                      Interior da filial no Porto

        

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa

Esta Companhia foi nacionalizada em 15 de Março de 1975. Em 1979 foi integrada juntamente com a “Tranquilidade” e a “Garantia Funchalense” na “Tranquilidade - Companhia de Seguros, E.P.”

29 de setembro de 2011

Hotel Astória em Coimbra

O edifício do “Hotel Astória”, em Coimbra foi mandado construir pela Companhia de Seguros "A Nacional", entre 1915 e 1919 sob o projecto do arquitecto Adães Bermudes, que já tinha sido o responsável pela Agência do Banco de Portugal em Coimbra em 1907.

Em 1925 este edifício foi arrendado ao empresário Alexandre de Almeida, que ficou responsável pela conclusão do seu interior e adaptação à industria hoteleira, de acordo com o projecto do arquitecto portuense Francisco de Oliveira Ferreira. O contrato tinha o prazo de 19 anos a partir de 1 de Janeiro de 1926, e o valor da renda mensal era de 4 mil escudos. A Companhia de Seguros "A Nacional" ficou com três divisões no 1º andar para funcionamento da sua agência.

O empresário Alexandre d’Almeida foi o criador da cadeia de equipamentos hoteleiros “Hotéis Alexandre de Almeida Lda.”, proprietário do Palace Hotel do Bussaco (1915), Palace Hotel da Curia (1922), Hotel Francfort, Hotel Metrópole e Hotel de L’ Europe estes três últimos em Lisboa. Foi também da sua iniciativa a criação da primeira escola de ensino hoteleiro em Portugal, sendo com o seu apoio e com a colaboração da Federação dos Sindicatos da Indústria Hoteleira que surgiu a Escola Hoteleira Portuguesa, denominada durante alguns anos por Escola Hoteleira Alexandre de Almeida.

                                                    Anúncio                                                     Autocolante de bagagem

                               

Outra inovação de Alexandre d’Almeida foi que um hotel deveria ter a sua própria adega, à semelhança do que acontecia com os exuberantes locais de pernoita na Riviera francesa e italiana. Como ponto de partida, utilizou as vinhas da sua própria família, situada nos sopés da Serra do Buçaco, para produzir um vinho especial, engarrafado, numa altura em que esta era ainda uma actividade rara. Pelo que o vinho do “Palace Hotel do Bussaco”, sua propriedade e localizado na Mata do Buçaco (Luso), passou a ser distribuído exclusivamente pela cadeia de “Hotéis Alexandre de Almeida”.

A quando da inauguração do “Palace Hotel da Curia”, em 1922, a ementa do banquete era acompanhada da seguinte mensagem da autoria de Alexandre d’Almeida:

"A industria hoteleira é considerada benemerita em muitos paízes, tal é o seu valor como factor de progresso em todos os ramos da sua actividade. A essa eu tenho prestado toda a minha energia e dedicação para conseguir que o nosso Paíz alcance o lugar a que tem direito na civilisação mundial, pelo seu passado historico, pelos seus encantos naturaes e pelo seu clima sem egual:

"O Paíz aonde o sol sorri."
"Auxiliem-me todos n'esta cruzada, que de muitos vive e para todos produz!"

O “Hotel Astória”  foi inaugurado em 28 de Março de 1926, considerado na altura como a catedral dos hotéis nacionais e internacionais, pela oferta de comodidades invulgares para a época como a central telefónica, o elevador – um dos primeiros a ser instalado na cidade – o aquecimento central ou o requintado e luxuoso mobiliário. Por este Hotel passaram as mais ilustres personalidades da nossa história. A festa de inauguração consistiu num banquete (almoço) e num chá dançante (jantar), um verdadeiro acontecimento social. A orquestra que animou estes dois momentos foi o sexteto de jazz com o nome "Jazz Band César Magliano".

                                                             

                                                                                 Hall de entrada

                                                        

                                                                                      Sala de estar

                                      

                                                                                     Sala de Jantar

                                                   

                                                                                              Bar

                                                    

O “Hotel Astória” foi projectado de acordo com um modelo eclético afrancesado, de grande riqueza decorativa, com traços da estética Arte Nova e Art Déco (particularmente notórios nos interiores). À data da inauguração possuía 62 quartos «cheios de luxo e de conforto, com telefones para todo o país», distribuídos  pelos seus 4 pisos. Este hotel tornou-se, desde cedo, num ex-líbris de Coimbra, sendo conhecido pelos seus chás dançantes, num ambiente de grande requinte.

Em 1945 sofre obras de ampliação e restauro e por ali passam muitos jovens para obter formação no ramo de hotelaria

Duas perspectivas de um quarto duplo

  

Em 1980 iniciaram-se a construção de casas de banho privativas em alguns quartos, o que limitou o número de quartos. Teve recentes obras de restauro (2002), que abrangeram as fachadas e os interiores. Aqui se conservam as cadeiras e mesas encomendadas à “Casa Venâncio do Nascimento”, no Porto, os revestimentos de madeira das paredes, os apliques e o pavimento.

Em 1990 sofre um minucioso restauro por se encontrar bastante degradado. Conserva o aspecto romântico da época da abertura e contém autênticas relíquias no seu recheio artístico e arquitectónico

Actualmente o “Hotel Astória” conta com  60 quartos e 2 suites juniores, decorados com magnífico mobiliário original dos anos 20.

                                   

                                              

fotos in: Igespar, Hoteis Alexandre de Almeida

No dia 20 de Janeiro de 2011 foi anunciado que o “Hotel Astória” passou a integrar a lista de monumentos de interesse público, classificados pelo Ministério da Cultura. Ao imóvel foi ainda fixada uma Zona Especial de Protecção que impede qualquer intervenção, naquela área, sem autorização do IGESPAR

28 de setembro de 2011

O Correio em Portugal (8)

                                                                Serviço telegráfico e telex

                               

             Telegrama alusivo à Páscoa, em 1957                               Autógrafo de agradecimentos, em 1957

 

                                                  Camionete da marca “International” dos Correios

                                

                                                                        Separação de correio

                                                   

fotos in: Fundação Portuguesa das Comunicações

Fados Antigos (2)

Capas de partituras de fados, do início do século XX.      

                                        

                                        

                                          
                                                   fotos in: Ephemera

26 de setembro de 2011

Tipografia “Casa Portuguesa”

A tipografia “Casa Portuguesa”, foi fundada em 1857 e era propriedade da firma José Nunes dos Santos & Cª, Lda., estabelecida como papelaria inicialmente na Rua de São Roque e posteriormente na  Rua da Misericórdia (ex- Rua do Mundo), tinha as suas oficinas tipográficas na Rua das Gáveas. É a tipografia mais antiga de Portugal.

                                                                           Oficinas Tipográficas                                               

         

                                          Escritório                                                                           Armazém

         

Executavam impressões a cores, ouro, prata e sobre setim, além de encadernações, revistas, livros, cartazes, etc.. Editaram inúmeras obras literárias. Na sua papelaria vendiam todo o tipo de material para escolas, escritórios, ateliers, etc. Eram importadores de postais ilustrados.

Nesta tipografia imprimiram-se o "Diário Ilustrado", “Diário da Manhã” e, a "Parada da Paródia". Corria o tempo da censura prévia pelo que quando começavam a ficar prontas as provas de texto que era preciso rever, até o jornal estar pronto a entrar na máquina, podia correr muito tempo. Tanto podia acontecer à meia noite como às duas da manhã, ou às quatro. Este "horário de trabalho flexível" dependia da Censura. As provas eram enviadas à medida que estavam prontas e, durante aquele período de tempo, era um corrupio, da tipografia para a Censura e da Censura para a tipografia, até estar tudo devidamente autorizado, com o carimbo oficial aplicado a todas as provas, de texto e de bonecos.

Esta tipografia também efectuou trabalhos para a “Agência Geral do Ultramar’” nos anos 60 do século XX.

                            Stand na ‘Feira das Indústrias’, em 1950 e visita ao mesmo pelo Dr. Oliveira Salazar

         

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

                                                            Exemplos de trabalhos da ‘Casa Portuguesa’                                 

            

                                               1909                                                                                  1916

         

A sua designação oficial mudou para “Empresa Tipográfica Casa Portuguesa Sucessores., Lda.” , nos anos 50 do século XX. Ainda existe e está sediada no Seixal.

24 de setembro de 2011

Faróis Portugueses (5)

Em vinte anos, entre 1908 e 1927 são construídos dezasseis faróis no continente e ilhas adjacentes. Serreta (Ilha Terceira, 1908), Ponta das Lages (Ilha das Flores, 1910), Montedor (Viana do Castelo, 1910), Penedo da Saudade (São Pedro de Moel 1912), Ponta da Piedade (Lagos, 1913), Gibalta (1914) e Esteiro (Caxias, 1914), Cabo Sardão (entre Sines e S.Vicente, 1915), Ribeirinha (Faial, 1919), Alfanzina (Lagoa, 1920), Ponta do Pargo (Ilha da Madeira, 1922), Vila Real de Santo António (1923), Albarnaz (Ilha das Flores, 1924), Leça de Palmeira (1927), Ponta do Topo (Ilha de S.Jorge, 1927) e Gonçalo Velho (Ilha de Santa Maria, 1927).

                                                                   Farol de Montedor (1910)

   

Farol de Montedor localiza-se num promontório no lugar de Montedor, a cerca de 4 milhas náuticas a Norte do foz do rio Lima e a 7 milhas a Sul da foz do rio Minho, na freguesia de Carreço, cidade e distrito de Viana do Castelo, em Portugal. É o farol mais setentrional do país e entrou em funcionamento em 20 de Março de 1910.

                                                                 Farol da Ponta da Piedade (1913)

Foi erigido entre 1912 e 1913, no local das ruínas da ermida de Nossa Senhora da Piedade, entrando ao serviço neste último ano, com um aparelho óptico de quarta ordem que emitia cinco relâmpagos agrupados a cada dez segundos do alto de uma torre de cinco metros, a 51 metros de altitude. A fonte luminosa era um candeeiro de petróleo. Em Dezembro de 1923, a luz passa a ser de ocultações, com uma ocultação de 2,5 segundos a cada 69,5 segundos.

 
 
Em 1952, o farol é electrificado com energia da rede pública, sendo substituído o candeeiro de petróleo uma lâmpada eléctrica, com um alcance original de 15 milhas náuticas, posteriormente aumentado para 18 milhas náuticas. Quatro anos depois, é montado um novo aparelho de incandescência eléctrica. Foi automatizado em 1983.

«No estremo desta cadeia de rochedos, no fim destes caminhos estreitos no alto das escarpas, chegaremos à ponta da Piedade. Aqui houve uma velha ermida que 1755 destruiu, cortando mesmo a ligação com terra firme do rochedo onde se encontrava (…). A sul do actual farol nova ermida foi feita, com uma pequena cúpula e um corpo avançado como no-lo revelam os restos que se veem no chão. A necessidade da construção do farol aconselhou os que mandavam a destruí-la em 1916. Era local de devoção intensa à Senhora da Piedade.(…)».   José Víctor Adragão in: “Algarve”

                                                                   Farol do Cabo Sardão (1915)

Proposto pela primeira vez em 1883, o Farol do Cabo Sardão entrou em funcionamento apenas a 15 de Abril de 1915.

                               

Em 1950, o farol foi electrificado com montagem de grupos electrogéneos. A fonte luminosa deixou de ser a gás de petróleo sendo substituída por uma lâmpada de 3000 watts.

Até aos anos cinquenta, o serviço de entrega e recepção de correio do farol era feito por uma estafeta, cujo vencimento era de 200$00 (1€) mensais, destinado a retribuir «16 viagens por mês, a pé, de mais de 20 quilómetros cada, e por péssimo caminho, parte dele quase intransitável no Inverno», viria pouco mais tarde a ser aumentada para 300$00 (1,5 €).

                               

O farol foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública em 1984. A potência da fonte luminosa foi reduzida, sendo instalada uma lâmpada de 1000 watts.

O Farol foi construído com a torre do lado de terra, ao contrário de todos os outros faróis com estruturas e localizações similares. Possivelmente o construtor terá usado a planta rodada de 180º

                                                                         Selo dos CTT, 2008

                                                         

«O lugar convida a passeios equestres, mas o automóvel dá bem conta do troço de estrada alcatroada que leva ao Cabo Sardão. Em se ultrapassando o casarão fantasmagórico do farol, respeito: temos a natureza em estado puro e bruto, com a rocha xistosa a despenhar-se quase a pique no oceano. Entre as garras do gigantesco sáurio adormecido, as águas formam um abismo verde salpicado por borbotões de espuma; é uma visão solene e esmagadora, que o pio das gaivotas sobrevoando os rochedos torna quase lancinante.»   Regina Louro in: “Baixo Alentejo”.

                                                         Farol de Vila Real de Santo António (1923)

Tendo o Ministério da Marinha obtido em 1916 licença para se proceder á sua construção, eta foi iniciada segundo o projecto do engº José Joaquim Peres. 

Segundo o Aviso aos Navegantes de 19 de Dezembro de 1922, tratava-se de uma torre circular de cimento armado, de cor branca, com listas horizontais escuras, dispondo de anexos de dois pavimentos, para habitação dos faroleiros, depósitos de material e demais fins. O Farol de Vila Real de Santo António entrou em funcionamento em Janeiro de 1923.

A torre, circular, tinha 40 metros de altura e assentava sobre fundações de betão armado. A luz lá instalada, de relâmpagos, era obtida por incandescência de vapor de petróleo e tinha um alcance de 33 milhas náuticas. Ainda hoje está equipado com o aparelho óptico lenticular de Fresnel de terceira ordem com 500 mm de distância focal original.

                                           
 
Em 1927 é electrificado com motores geradores, e posteriormente, em 1947, ligado à rede pública de electricidade, ano em que a máquina de relojoaria que, até então, tinha assegurado o movimento do aparelho óptico foi também substituída por motores eléctricos e a lâmpada por uma outra de 3.000W. Em 1960, os dínamos foram substituídos por alternadores e foi instalado um elevador de acesso à torre. Em 1983, a lâmpada é substituída por uma de 1.000W. Seis anos depois, o farol é automatizado, estando, portanto, desprovido de faroleiros nos dias de hoje.

                               

« A mata que o Marquês começou a plantar, careca aqui e além, reino do camaleão e todas as noites milhares de vezes coberta pela luz do seu farol (…) ainda é um bom conjunto de pinheiros, capazes de proporcionar belos momentos de lazer. Do alto do farol a vista ainda é soberba, desde a Andaluzia das ilhas ao castelo de Castro Marim, desde a serra ao mar profundo (…). Com a memória de Santo António de Arenilha, a barra oscilante do Guadiana, os areais sem fim para ocidente - areias de Portugal frente a terras de Espanha -, o farol é um bom sítio para se esperar a “nau catrineta”, a tal que tem muito que contar.»  José Víctor Adragão in: “Algarve”

                                                                        Farol de Leça (1927)

O Farol de Leça, também conhecido como Farol da Boa Nova é um farol português que fica localizado em Leça da Palmeira, cidade de Matosinhos, distrito do Porto. É o segundo maior farol do país com uma torre de 46 metros de altura, só superado pelo farol de Aveiro cuja torre mede 62 metros de altura.

O farol de Leça é edificado depois de uma série de desastres ter enlutado as praias vizinhas. Havia, aliás, quem comparasse o tenebroso local a Bell Rock, na Escócia, onde um temporal de três dias, em 1799, bastara para destruir setenta embarcações.

                                   Encalhe do navio inglês  “Veronese” ,em Janeiro de 1913,  na Boa Nova

                                 

Depois de existir, uma estação semafórica junto à estação de passageiros de Leça da Palmeira, foi decidido construir em 1922 e  junto à Capela do Oratório de São Clemente o Farol da Boa Nova. Tratava-se duma torre quadrangular branca com cerca de 12 metros, encimada por uma lanterna verde, emitindo luz branca fixa, a cerca de 380 metros a NW do actual farol. Ao fim de cinco anos foi desactivado e foi inaugurado o actual em 1927.

      Estações semafórica e de passageiros de Leça                                          Farol da Boa Nova

 
fotos gentilmente cedidas por: Navios e Navegadores (colecção particular do proprietário)

                                                        Farol de Leça, inaugurado em 1927

                             

                             

Este foi o último farol a ser construído em Portugal Continental, até o novo farol de Sagres ser inaugurado, trinta e três anos depois, a 1 de Abril de 1960, construído para substituir o anterior entretanto demolido. Entretanto na Ilhas Adjacentes o último farol a ser construído viria a ser o Farol de São Jorge, na Ilha da Madeira no ano de 1959.

                                                                       Selo dos CTT, 2008

                                                           

«(O farol muito branco, recortando-se no azul celeste foi, para gerações de gente pequena, quando ia à beira-mar, gigante fabuloso de magias eléctricas a desvendarem a noite, com luzes nervosas e rodopiantes. A ascensão era prémio cobiçado para os maiores, que não tinham medo das alturas. Mas as escadas assustavam e faziam vertigens …)
O velho farol da nossa infância permanece, alvo, distante, a evocar o sonho, agora rodeado pelas chaminés fumegantes e lumieiras da refinaria … »   Hélder Pacheco in:  “O Grande Porto”

Só em 8 de Julho de 1946, é que a Direcção de Faróis foi transferida para as instalações do extinto Grupo de Defesa Submarina da Costa, em Paço d’Arcos, local onde permanece até aos dias de hoje, complementadas em 25 de Agosto de 1961, com a inauguração do Edifício do Comando e da Escola de Faroleiros

Situada junto à Estrada Marginal, em Paço d’Arcos, nas antigas instalações do Grupo de Defesa Submarina da Costa, a Direcção de Faróis posiciona-se como sentinela vigilante da navegação que demanda as Barras do Porto de Lisboa, na confluência das águas do Tejo com as do Atlântico, tendo o Forte e Farol de S. Lourenço da Cabeça Seca (Bugio) no horizonte.

                                                        “Direcção de Faróis”, em Paço d’Arcos

                             

Em 1979 é iniciado o processo de automatização dos faróis e, anos mais tarde é introduzido o aproveitamento de energia solar para abastecimento de energia eléctrica aos faróis.

Actualmente o património de ajudas á navegação é o seguinte:

  • 50 faróis
  • 338 farolins
  • 148 boias
  • 26 balizas
  • 35 sinais sonoros
  • 56 enfiamentos
  • 4 estações DGPS (Differential Global Positioning System)

                         Faróis de Portugal Continental

    Faróis de Portugal  Faróis de Portugal.2

«Acendem-se ao anoitecer e apagam-se ao raiar da manhã. Exactos como uma fórmula matemática, com os seus clarões, os seu relâmpagos, o seu ritmo luminoso inconfundível. Dir-se-ia pertencerem ao céu, às constelações do universo. Também podem lembrar espelhos mágicos. São simplesmente os faróis marítimos, postos nas costas e ilhas para guiarem os navegantes a bom porto, indicando-lhes os obstáculos e as aproximações perigosas de terra»  Excerto retirado do excelente livro “Faróis de Portugal” de João Francisco Vilhena e Maria Regina Louro” - Gradiva - 1995

fotos antigas in: Leuchtturme Portugals auf historischen Postkarten, Prof 2000

Infografias de Carlos Esteves e Jaime Figueiredo in: Expresso

Citações e excertos in: Livro “Faróis de Portugal” de João Francisco Vilhena e Maria Regina Louro” - Gradiva - 1995